quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Kumite - 組手


Kihon Ippon Kumite - JKA 

A última (e não menos importante!) parte que compõe o tripé do Karatê-Dô Shotokan é o Kumitê, que significa luta, combate contra um adversário. Deixando de lado as luta imaginárias do Kata, no Kumitê aplicam-se ataques de braço e perna e defesas, contra um oponente real. As lutas ainda podem ser combinadas, semi-combinadas ou livres.
            O significado literal de Kumitê, em japonês, é “encontro de mãos”. Kumi: “encontro” e Te: “mãos”. Todo praticante de Karatê deve (ou deveria!) aprender ao longo de sua formação e treinar durante anos, os vários tipos de Kumitê, não somente o Shiai (luta esportiva) como também passar pelas várias etapas de Gohon e Sanbon (para iniciantes faixas branca, cinza e azul - YOBUKAN), de Ippon (para praticantes intermediários faixas amarela, vermelha e laranja), de Jyu Ippon (para faixas verde, roxa e marrom) e Jyu Kumite (para faixas pretas).
            A cortesia é fator importante na cultura japonesa e, principalmente nas artes marciais, a praticamos (ou deveríamos praticar!) em todos os momentos, não somente no Kihon e no Kata, como dizia o grande mestre Funakoshi “o Karatê inicia e termina com cortesia” e é assim que deve ser também no Kumitê: fazer a saudação com respeito e agradecimento pela oportunidade de ter o companheiro para treinar é algo admirável.
            Mestre Jonery repete um ensinamento dos velhos mestres a cada praticante afoito em lutar: “treine Kihon (fundamento) e Kata (forma) que o Kumitê sai”. Sensei Jonery é claro ao dizer que “não se desenvolve o Kumitê só praticando a luta em si e que o praticante deve treinar o Kihon e o Kata mais do que o Kumitê, e com isso estará sempre aprimorando a luta”.

Gohon-Kumitê (5 ataques e 5 defesas com 1 contra-ataque) é muito utilizado nos treinamentos de praticantes iniciantes, por conter movimentos simples. Quem ataca (tori) tira uma medida jodan (nível alto), chudan (nível médio) ou gedan (nível baixo) em pé e recua a perna direita ficando em gedan-barai de esquerda na base zenkutsu-dachi e quem defende (uke) fica em pé inicialmente.

Sanbon-Kumitê (3 ataques e 3 defesas com 1 contra-ataque). É idêntico ao gohon só que é feito em 3 passadas e é usado pelos praticantes faixa azul (Yobukan/Garras do Tigre), ou para os faixa branca.

Ippon-Kumitê (1 ataque e 1 defesa com contra-ataque). Posturas iniciais idênticas aos anteriores. O defensor se desloca para trás e para o lado, saindo da linha do atacante que não pode seguir o alvo. Procurar aplicar o contra-ataque sempre chudan. Lembrar sempre do grito (kiai) no ataque e no contra-ataque.

Jyu-Ippon-Kumite: (semi-combinado) avisa-se a região do corpo onde será desferido o golpe e/ou o tipo de golpe que será aplicado. É um dos mais difíceis treinamentos de Karatê, mais difícil até que o Jyu-Kumitê (livre). Apesar de ser semi-combinado é de uma complexidade muito grande. Se o praticante se aprimorar nesse treinamento se sairá bem em luta. Ambos os praticantes na base livre (jyu-kamae).

Jyu Kumite (combate livre) Após a saudação os praticantes iniciam o combate livremente, tentando encaixar os golpes. O combate poderá ser orientado para técnicas de pernas (ashi-waza) ou técnicas de braços (te-waza); um ser o atacante (tori-waza) e o outro usar o contra ataque sendo somente o defensor (uke-waza); enfim, quanto menos forte mais corretas deverão ser as técnicas e sempre controladas.

Shiai-Kumite (luta de competição) É uma luta pela conquista de pontos, onde há as técnicas permitidas de acordo com as normas de cada federação. A competição deve servir para o praticante desenvolver o respeito e disciplinar-se física e mentalmente.

Cada federação esportiva tem regras diferentes e o praticante que treinar os princípios do verdadeiro Karatê nunca terá problemas para se adaptar as regras e técnicas exigidas para pontuar na federação em que for participar.
Os protetores que são utilizados nas competições ou treinos, não são para que o karateca bata mais e sim para que ele anule os impactos e arrisque mais, sem medo de machucar a si ou ao companheiro.

Me-Narashi (sem força) É um combate livre, sem força, também chamado de “Kumitê sombra” podendo ser acelerado ou em câmera lenta, de acordo com o objetivo do treino. É nele que se aprende a executar as técnicas corretamente, sem o medo de se machucar. Pode ser utilizado para o aprimoramento tanto do jyu-kumite quanto do shiai-kumite.

            A grande questão é: treinar Shiai ou treinar Kumitê?

O problema que vemos nos nossos dias, nas “badaladas” confederações, é a especialização dos atletas, ditos karatecas (ahhhh sim!... na minha humilde opinião... KARATECAS SIMPATO YAMAZAKI... isso sim!), que fazem a opção apenas pelo “Kumitê” ou apenas pelo “Kata”, prática que vem influenciando novos praticantes... e a consequência é que deixamos de treinar Karatê e os professores pelo mundo deixam de ensinar o Karatê como um só (sentido de totalidade da arte), dando ênfase ao Shiai que é somente mais um método de treinar o Kumitê e não o Karatê na sua essência.
Então... esses são os espinhos?? Ahhh... apenas alguns deles, dentre outros... que nos causam sofrimento e dor de verdade quando presenciamos a desvalorização e a prática reducionista e superficial de um karatê (re)inventado sem nenhuma responsabilidade e sem a devida consideração e respeito ao legado deixado pelos grandes mestres.
E assim vemos florescer a nossa árvore... e... estamos cientes da qualidade dos frutos que pretendemos colher?...

Genealogia Humana
O homem se equipara a uma árvore: suas flores são felicidade, seus galhos, seu objetivo; suas folhas, segurança; seu tronco, fortaleza; sua raiz, o conhecimento; a natureza, sua fonte de vida. Muitas vezes, espinhos invadem seu espaço e tentam combate-la tirando suas folhas, impedindo os galhos e ferindo o seu tronco... mas sua raiz continua intacta porque ela é que extrai da natureza toda a energia necessária para manter o arbusto, e é a partir da raiz que o tronco e membro se constroem.
Quem contem raiz forte, longa e firme lutará e vencerá os espinhos não importando o quanto sua estrutura for afetada, mas os que tem raiz fraca aos espinhos estará entregue, pois em seu corpo não há sustento para enfrentar uma batalha.

(FAZANARO, 1992 apud GUIMARÃES & GUIMARÃES, 2002, p. 185)

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